13/10/2026 às 18:49 • 10 visualizações

A alimentação pode ser um desafio para muitas famílias de crianças autistas. Recusar determinados alimentos, aceitar apenas algumas marcas ou preparações, apresentar resistência a mudanças no prato ou ter preferência por determinadas texturas são situações que podem fazer parte da rotina.
A seletividade alimentar é caracterizada por um repertório alimentar restrito e pode estar relacionada a diferentes fatores. No autismo, essas dificuldades podem ser mais frequentes devido às particularidades sensoriais, comportamentais e de comunicação que podem influenciar a relação da criança com os alimentos.
Não existe uma única causa. Cada criança apresenta necessidades e características próprias, por isso é importante observar o que está por trás da recusa alimentar.
Cheiro, sabor, temperatura, textura, aparência e até a forma como o alimento é apresentado podem influenciar a aceitação.
Uma criança pode, por exemplo, aceitar alimentos crocantes, mas recusar preparações pastosas, ou preferir que os alimentos não se misturem no prato.
Algumas crianças autistas podem apresentar maior necessidade de rotina e previsibilidade. Mudanças na marca, embalagem, formato ou modo de preparo de um alimento já conhecido podem gerar resistência.
Por isso, não é incomum que a criança aceite apenas uma determinada marca de biscoito ou um alimento preparado de uma maneira específica.
Habilidades relacionadas à mastigação, coordenação dos movimentos da boca e deglutição também podem interferir na alimentação. Em alguns casos, a criança pode evitar determinados alimentos porque eles exigem habilidades que ainda estão em desenvolvimento.
Quando a criança ainda apresenta dificuldades para comunicar desconforto, preferências ou necessidades, a recusa alimentar pode ser uma das formas utilizadas para expressar que algo não está agradável.
A primeira estratégia é compreender a dificuldade antes de tentar eliminá-la. Pressionar, obrigar a criança a comer ou transformar as refeições em momentos de conflito pode aumentar a resistência.
Algumas atitudes podem contribuir:
Respeite o ritmo da criança: a introdução de novos alimentos pode acontecer gradualmente.
Apresente novidades sem pressão: colocar pequenas quantidades de um alimento novo no prato permite que a criança tenha contato com ele sem a obrigação de comer.
Observe as características dos alimentos aceitos: textura, temperatura, cor, formato e sabor podem ajudar a identificar padrões de preferência.
Mantenha uma rotina: horários e ambientes previsíveis podem tornar as refeições mais tranquilas.
Valorize pequenas conquistas: tocar, cheirar, aproximar, experimentar ou dar uma pequena mordida também podem representar avanços.
Evite usar alimentos como recompensa ou punição: isso pode tornar a relação da criança com a alimentação ainda mais complexa.
A seletividade merece atenção quando interfere na rotina, na participação das refeições, no crescimento, na ingestão de nutrientes ou faz com que a criança tenha um repertório alimentar muito reduzido.
Nesses casos, o acompanhamento profissional pode ajudar a identificar os fatores envolvidos e construir estratégias individualizadas.
Dependendo das necessidades da criança, profissionais como fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, nutricionista, psicólogo e pediatra podem fazer parte desse cuidado, trabalhando de forma integrada.
Mais do que fazer a criança “comer de tudo”, o objetivo é ampliar gradualmente o repertório alimentar e construir uma relação mais segura, confortável e saudável com a alimentação.
Na seletividade alimentar, comparar uma criança com outra pode gerar frustração. O que funciona para uma pode não funcionar para outra.
Por isso, observar, compreender e respeitar as particularidades de cada criança é fundamental. Com orientação adequada e estratégias individualizadas, pequenas mudanças podem representar grandes conquistas no dia a dia.
Na Ser Especial, o cuidado considera as necessidades individuais de cada criança e adolescente, buscando compreender não apenas o comportamento apresentado, mas também os fatores que podem estar por trás dele.
Ser Especial — Cada fase, um cuidado especial!
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